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Beauty

Dr. Rodrigo Gimenez: Preenchimentos e procedimentos estéticos atrapalham o lifting facial?

03.11.2026 · revistadogramado

Quando o rejuvenescimento precisa respeitar os limites de cada técnica

Dr. Rodrigo Gimenez

Nos últimos anos, os tratamentos estéticos sem cirurgia conquistaram espaço no mundo inteiro e o Brasilacompanha esse movimento. Preenchimentos faciais, aplicações para suavizar rugas e tecnologias que utilizam calor ou ultrassom para melhorar a firmeza da pele passaram a fazer parte da rotina de muitas pessoas. O desejo é compreensível: envelhecer bem, preservar a beleza e manter uma aparência descansada, sem perder a própria identidade.

Como cirurgião plástico dedicado ao rejuvenescimento da face, considero esses avanços muito bem-vindos. Quando realizados por médicos capacitados, com produtos de qualidade e indicação adequada, podem oferecer bons resultados. Não sou contrário aos preenchimentos nem às novas tecnologias. Minha preocupação surge quando a busca por melhorias sucessivas ultrapassa o ponto em que esses procedimentos realmente beneficiam a face.

Para entender esse limite, é preciso lembrar que o envelhecimento facial não acontece apenas na pele. Ao longo do tempo, há alterações na distribuição da gordura, perda de sustentação dos tecidos e flacidez. Os preenchimentos conseguem devolver volume a áreas específicas, mas não reposicionam de maneira efetiva as estruturas que cederam com os anos. É como tentar corrigir uma roupa que ficou larga acrescentando tecido: em certo momento, a solução deixa de ser adicionar e passa a ser ajustar.

Em pacientes mais jovens, com sinais discretos de envelhecimento, pequenas quantidades de preenchedor podem produzir resultados bastante naturais. A partir dos 45 ou 50 anos, porém, é frequente que a flacidez ganhe importância, embora isso varie muito de pessoa para pessoa. Nessa fase, insistir em sucessivos preenchimentos para tentar compensar a queda dos tecidos pode exigir volumes cada vez maiores. O risco é transformar um rosto antes delicado em uma face excessivamente cheia, arredondada e, por vezes, artificial.

Algo semelhante merece atenção nas tecnologias baseadas em energia, como determinados aparelhos de radiofrequência e ultrassom. Elas podem ser úteis para melhorar a qualidade e a firmeza da pele, mas não são todas iguais nem atuam na mesma profundidade. Quando mal indicadas ou utilizadas de forma excessivamente agressiva, algumas podem afetar a gordura que dá suavidade aos contornos da face, e perder volume onde ele jáé escasso podendo acentuar o aspecto envelhecido, em vez de corrigi-lo.

E os fios de sustentação ou de estímulo de colágeno? Embora possam promover alguma melhora inicial em situações selecionadas, seus efeitos costumam ser limitados e temporários. Não devem ser apresentados como equivalentes a um lifting facial. Criar essa expectativa pode levar o paciente a repetir procedimentos sem alcançar a transformação que deseja.

Chegamos, então, à pergunta central: quem já fez esses tratamentos pode ter dificuldades em uma futura cirurgia de rejuvenescimento? A resposta é: depende. Procedimentos anteriores podem modificar a consistência dos tecidos, deixando algumas áreas mais firmes ou endurecidas, o que chamamos de fibrose. Em determinadas situações, isso torna a separação dos tecidos mais trabalhosa e exige planejamento e atenção redobrada do cirurgião.

Mas existe outro lado dessa história, pouco comentado. Na minha experiência cirúrgica, essa maior firmeza pode, em alguns casos, até favorecer determinadas etapas do lifting, oferecendo melhor resistência à tração e à fixação dos tecidos. Não significa que a fibrose seja desejável ou que o efeito seja sempre positivo. Significa apenas que ter realizado tratamentos estéticos previamente não é, por si só, um impedimento para uma boa cirurgia — e nem sempre representa uma desvantagem.

O lifting facial tem um papel diferente: reposicionar estruturas que perderam sustentação e tratar a flacidez com uma estratégia própria para cada anatomia. Preenchimentos e tecnologias, por sua vez, podem complementar a cirurgia, antes ou depois dela, quando existe uma indicação clara. O segredo não está em escolher um tratamento e condenar todos os outros, mas em saber o que cada um é capaz de entregar e, principalmente, reconhecerquando é hora de mudar de abordagem.

A melhor decisão não nasce da idade escrita no documento, da tendência do momento ou da promessa de um resultado imediato, nasce de uma avaliação criteriosa, de expectativas realistas e do respeito às características de cada face. Afinal, rejuvenescer não deveria significar parecer outra pessoa. O verdadeiro objetivo é preservar a identidade e recuperar, com naturalidade, a harmonia que o tempo modificou.

Cirurgião plástico dedicado à cirurgia plástica da face | Mestre pela USP e doutor pela UNICAMP

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