Por Bruno Mota
É administrador, com MBA em Gerenciamento de Projetos. Atua como superintendente de Negócios e Finanças da Azo Inc
A cada 39 minutos, uma nova propriedade é vendida na região de Campinas. O número contribui para avaliar a força recente do mercado imobiliário na região e ganha ainda mais relevância por ocorrer em um dos períodos de juros mais elevados dos últimos anos no Brasil. Os dados apontam para direção que, mesmo com crédito dificultado pela Selic, o setor avança. Informações do Secovi-SP, em colaboração com a Brain Inteligência Estratégica, indicam que 13.338 novas unidades residenciais foram vendidas em 2025, representando um aumento de 10% em comparação a 2024. É daí que vem o número mágico, em minutos, mencionado acima.
Em 2023, foram vendidas 11.839 unidades; em 2024, 12.121. No ano passado, o mercado alcançou um novo nível. A sequência sugere uma demanda estável, menos dependente de movimentos especulativos e mais fundamentada em fatores estruturais da região. Um indicativo dessa transformação é o crescimento do Valor Geral de Vendas (VGV), que passou de R$ 5,5 bilhões em 2024 para R$ 6,4 bilhões em 2025, representando um aumento de 16,3%, superando o crescimento em volume. Na prática, isso sugere não apenas uma maior liquidez, mas também um aumento no valor médio dos imóveis, seja por uma valorização real, seja por uma alteração no perfil dos empreendimentos lançados.
Claro que a região metropolitana de São Paulo continua sendo o maior mercado imobiliário do país, mas até por ser um mercado muito maduro, o ritmo de crescimento tende a ser mais contido. Em Campinas, por sua vez, existem diversas oportunidades para crescimento, tanto no desenvolvimento urbano quanto na diversificação de produtos. Isso também se reflete nas características dos imóveis. Nos municípios que englobam a região de Campinas, existe uma diversificação entre lançamentos verticais com condomínios horizontais, sejam loteamentos ou condomínios de casas, respondendo a uma demanda por áreas verdes, qualidade de vida que se intensificou nos últimos anos.
Uma parte relevante desse dinamismo está relacionada à economia regional. A existência de polos tecnológicos, instituições de ensino, indústrias e um robusto eixo logístico impulsiona a geração de renda e sustenta a demanda por imóveis de maneira mais equilibrada. Soma-se a isso o avanço do setor de serviços de maior valor agregado, a presença de multinacionais, o crescimento do emprego formal e a interiorização de investimentos antes concentrados na capital, fatores que ampliam a base de consumidores aptos à aquisição de imóveis. Além disso, a melhoria da renda média, ainda que gradual, e o aumento da mobilidade corporativa, com profissionais migrando de grandes centros em busca de melhor qualidade de vida e custo-benefício, ajudam a sustentar a absorção de novos empreendimentos.
É evidente que existem desafios a serem ultrapassados. Mesmo após o corte de 0.25 pp da Selic, a taxa básica de juros ainda está em 14,75%, patamar alto que ainda impacta e restringe o crédito imobiliário, dificultando o acesso de alguns compradores e reduzindo o ritmo das vendas de produtos que são dependentes do financiamento para quitação. Programas de habitação, como o MCMV, e linhas de crédito direcionadas, por sua vez, têm contribuído para manter o “motor girando”. Soma-se a isso a atuação de instrumentos como o FGTS, que recentemente aumentou para R$2.250.000,00 o valor máximo de avaliação do imóvel para uso.
A “região de Campinas” considera também Hortolândia, Indaiatuba, Sumaré, Valinhos e Bragança Paulista, municípios que seguem atraindo empreendimentos e ampliando o raio de influência do ecossistema imobiliário regional.
Com o ciclo esperado de queda da Selic em 2026 e melhora nas condições de crédito, os fundamentos que sustentaram esse desempenho seguem presentes. E agora, com ventos mais favoráveis no horizonte!

